Expoforest 2011 gera mais de 100 milhões de reais em negócios Imprimir E-mail

 A Expoforest 2011 - Feira Florestal, realizada entre os dias 13 e 15 de abril, em Mogi Guaçu (SP), superou todas as expectativas. Com 8753 visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo, a primeira feira florestal dinâmica da América Latina, surpreendeu ainda pelo volume de negócios gerados durante os três dias: mais de 100 milhões de reais. Empresas como Jonh Deere, Caterpillar, Ponsse, Komatsu Forest, Tigercat, Noma, Stihl e Scania comercializaram equipamentos e máquinas, alguns desses, lançamentos para o mercado nacional. Os 127 expositores apresentaram mais de 158 marcas. O evento contou com visitantes de 743 cidades dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal e de um público expressivo de estrangeiros de 26 países, entre eles Argentina, Chile, Uruguai, Canadá, Alemanha, Suécia, Inglaterra, África do Sul.

A John Deere, empresa dos Estados Unidos, levou 10 lançamentos, com destaque para a cabine giratória e nivelante e para o cabeçote de descascamento. "Fomos com o que há de melhor no mercado. O Brasil não é simplesmente um mercado em potencial, é o mercado com maior potencial no âmbito global", diz Roberto Marques, gerente de vendas e marketing.

A Noma, empresa paranaense de implementos rodoviários, também conseguiu fazer negócios durante a feira e novos contatos. "Estamos planejando ampliar nossa área de exposição na próxima Expoforest. Uma feira desse porte reúne quem realmente tem interesse no setor, além de ser uma oportunidade de mostrar nossos produtos a todas as empresas e de conhecer nossos clientes pessoalmente", conta o diretor comercial, Kimio Mori. A empresa estava com um estande estático e ainda tinha produtos nos estandes dinâmicos da Scania e da Epsilon Palfinger, o que possibilitou aos clientes verem o produto e depois fazerem o teste.

Já o segmento de transporte também comemorou os bons negócios. Somente a Scania comercializou 49 caminhões, somando 15 milhões de reais. A empresa preparou uma pista de testes, na qual os visitantes puderam experimentar os veículos.

Cinquenta clientes da Argentina, Chile e Uruguai foram convidados para participar da feira em uma ação para consolidar a parceria com a Ponsse. "Muitas empresas usam como slogan a proximidade com o cliente, mas não fazem isso concretamente. Ninguém compra um equipamento que custa quase 500 mil reais por impulso, é preciso que o cliente sinta confiança e segurança na tomada da decisão", afirma Cláudio Costa, Presidente & CEO.

Para o diretor de negócios florestais da Tracbel, distribuidora da Tigercat no Brasil, José Carlos Pierri Sobrinho, o grande número de estrangeiros na feira foi bastante positivo. "A Expoforest recebeu visitantes dos Estados Unidos, da América Latina e de vários outros países, isso é muito importante para consolidar ainda mais o Brasil no circuito florestal e alavancar o setor", afirma Pierri.

Expectativa

Segundo um dos organizadores do evento, Ricardo Malinovski, o resultado positivo mostra que o setor estava carente de um evento desse porte e com essas características. "A feira dinâmica permitiu aos visitantes e aos expositores uma nova forma de relacionamento e a possibilidade de uma negociação direta. O volume de negócios surpreendeu a organização e os expositores", afirma.

A Suzano Papel e Celulose SA enviou uma equipe multidisciplinar para entrar em contato com representantes de carroceria e equipamentos florestais. Otávio Meneguette é consultor de logística da empresa e acredita que a feira facilita o trabalho e possibilita futuras compras, networking e dicas de equipamentos. "Nosso objetivo principal foi encontrar soluções florestais para a utilização da biomassa como energia", esclarece.

O geógrafo da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Renato Moreira, ficou impressionado ao ver os equipamentos de colheita em funcionamento. "Acompanho diversas feiras agropecuárias e esta superou as expectativas", diz. Moreira conta que gosta muito da área de silvicultura de precisão, tanto que faz especialização em gestão florestal na Universidade Federal do Paraná. "Ficou explicito a tecnologia avançada do setor, principalmente nas grandes empresas. As pequenas também têm espaço para crescimento e inúmeras possibilidades de investimento".

O gerente executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE), Ailson Loper, também saiu bastante impressionado da Expoforest. "Chamaram atenção o envolvimento das empresas e a presença de muitos estrangeiros. Além disso, as demonstrações foram muito interessantes", afirma. Para ele, as novidades apresentadas no evento como o sistema de incêndio da Engema e a participação dos fornecedores químicos também merecem destaque. "A feira superou as expectativas", completa.

Lançamentos

Um dos objetivos da feira foi atrair o maior número de lançamentos para o setor. Foram mais de 150 novidades, entre equipamentos, máquinas, serviços e produtos como fertilizantes e insumos para o plantio.

A norte-americana Caterpillar apresentou cinco máquinas voltadas para esse mercado. Escavadeira, skidder, forwarder, harvester e feller buncher dominaram uma área aberta no meio da floresta de eucaliptos para cortar, colher, deslocar e agrupar as árvores.

A grande novidade foi o lançamento nacional do cabeçote harvester para escavadeira, adaptado para o uso em árvore de eucalipto, que pode ser utilizada para derrubada, descalhamento e descascamento das toras.

O gerente de indústria da empresa, Bruce Narversson, enfatizou o posicionamento agressivo adotado pela marca para que ela seja a número um do mundo no segmento. "Nós buscamos entender as necessidades dos nossos clientes para adaptar as máquinas exatamente para o que eles precisam", diz. Antônio Solano, gerente de vendas da América do Norte, acredita que a feira seja o pontapé inicial para mostrar para o mercado global o potencial florestal que o Brasil possui mantendo o equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.

A Komatsu participa da Expoforest desde 1978, quando o evento estava em um estágio inicial. De acordo com Lonard Scofield dos Santos, diretor de marketing e vendas, o novo formato com estandes dinâmicos tornou a feira muito mais interessante e possibilitou uma demonstração mais eficiente e completa para os clientes. "O setor de floresta é muito importante e promissor no Brasil, faltava uma feira desse porte para consolidar o potencial do país", pontua o diretor.

A empresa, de origem japonesa, apresentou modelos de maquinário já comercializados no Brasil, sendo alguns deles também produzidos e desenvolvidos aqui. O lançamento de 2011 foi o coveador rotree que, segundo a empresa, possibilita melhor enraizamento e crescimento das mudas.

A empresa de produtos agrícolas FMC apresentou dois lançamentos de herbicidas na Expoforest. Um pré-emergente latifolicida para ervas daninhas e um dissecante para pré-plantio e controle do rebroto de eucalipto. Os produtos foram desenvolvidos em campo em plantações no Pará, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. "O objetivo é entregar a área limpa de residual para iniciar o manejo do eucalipto e evitar a competição entre espécies, que extrai nutrientes e água do solo e prejudica o crescimento das árvores", esclarece Kedilei Roncato Duarte, gerente de produtos herbicidas.

Na área de máquinas para plantio uma das novidades expostas foi a plantadora de mudas da Roster que prepara o solo, aduba, prepara o canteiro e faz a incorporação de adubo, plantio e tratamento com herbicidas. A empresa do Rio Grande do Sul, que trabalha há 25 anos com ventiladores e usinagem, desenvolveu o produto a pedido da Fiber, empresa de papel e celulose do grupo Votorantim. O gerente de vendas Paulo Estery explica que o equipamento permite um melhor desempenho do trabalho do homem com a cabine climatizada.

A alemã Stihl tem tradição na fabricação de motosserras, amplamente utilizadas no corte de árvores em locais de difícil acesso, mas esse ano o destaque fica com o pulverizador costal manual, o lançamento trazido para a feira. "O produto oferece mais autonomia aos produtores de pequeno porte por ser leve e confortável", diz a assessora de marketing, Camila Thormann. Desenvolvido para o combate à lagarta após o plantio das florestas, promete ser prático e eficaz.

Outra empresa que apresentou novidades foi a Massey Ferguson, que adaptou seus tratores para a floresta. A estrutura do capô recebeu chapas e tubulações em aço, a parte inferior tem proteção contra galhos e troncos, o tanque é feito de chapa, os vidros de policarbonato e os pneus são florestais. Com 50 anos de mercado, em 2011 a empresa entrou no segmento de silvicultura depois de perceber o potencial do setor. Os tratores podem ser utilizados em todo o processo desde o plantio até o trato.

Parceria
A importância da parceria entre os setores privado, público e de pesquisa foi destacada por Jorge Roberto Malinovski, um dos organizadores da feira, como imprescindível para o estímulo do segmento florestal. Foi através dessa parceria que o evento se tornou possível. Rildo Martini, diretor de suprimentos da International Papel, que cedeu a área onde foi realizada a Expoforest, considera a feira um núcleo de potencial econômico, uma oportunidade de compartilhar informações com diferentes pessoas e também motivo de orgulho para a IP por suas dimensões sem paralelo. Ele também chamou atenção para a competitividade do Brasil no cenário mundial de florestas e a importância disso na geração de divisas.