"O Paraná está atrasado na implementação de políticas de incentivo ao setor florestal, o que agrava o descompasso existente entre a demanda e o cultivo de florestas no Estado". Com essa frase o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, abriu a oficina que apresentou as principais linhas de crédito para o segmento. O governo do Paraná está identificando as fontes de crédito disponíveis para agricultores que se dedicam ao cultivo de florestas, como parte do esforço para implementar políticas públicas de desenvolvimento do setor. O encontro foi realizado na segunda-feira (15) pela Seab, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE). Representantes do Banco do Brasil (BB), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostraram onde estão os recursos e como acessá-los.
O coordenador de Análises Econômicas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, também participou do evento e falou sobre a inclusão no Plano Safra 2011/12 de R$ 3,15 bilhões para financiar investimentos em agricultura sustentável no País. Desse total, R$ 2,3 bilhões estão disponíveis no BNDES e instituições repassadoras, como BRDE e o sistema Sicredi. Outros R$ 850 milhões estão disponíveis no BB.
Segundo o BB, o banco disponibilizou aos agricultores R$ 1 bilhão para o crédito florestal, dos quais R$ 850 milhões serão destinados à Agricultura de Baixo Carbono (ABC), programa do governo federal que alia a produção de alimentos com a redução de gases do efeito estufa. Esse programa contempla técnicas como a integração lavoura-pecuária e floresta, que a Secretaria da Agricultura e a Emater pretendem incentivar no Estado, principalmente em áreas de solo degradado como a região Noroeste.
Para isso, no entanto, o agricultor precisa conhecer as reais possibilidades de crédito, disse Ortigara. "Sabemos da importância do setor florestal e vislumbramos oportunidades de crescimento consistente. Mas precisamos de mais articulação entre as políticas públicas e o setor florestal para os programas deslancharem", afirmou Ortigara. Segundo o secretário, a Seab pode articular as políticas para ampliar o cultivo de florestas no Paraná, mas para isso é preciso saber quais as chances de apoio ao agricultor. Ele destacou a necessidade de adotar uma agenda única entre o governo do Estado, prefeituras e instituições de crédito oficiais. "Não existe Estado isolado do setor privado. É preciso pensar em ações conjuntas", afirmou.
De acordo com Wilson Vaz de Araújo, do Mapa, o plantio de florestas encaixa-se no conceito de desenvolvimento sustentável que permeia o programa ABC. Ele falou do esforço do governo federal em reduzir os juros de 6,75% ao ano para uma média de 5,5% no financiamento da adequação ambiental nas propriedades. O objetivo é financiar práticas, tecnologias e sistemas produtivos que contribuam para a recuperação de áreas degradadas e redução de gases de efeito estufa.
Para o diretor executivo da APRE, Carlos Mendes, a oficina foi bastante produtiva, pois ressaltou as vantagens dos programas e as dificuldades que podem surgir para ter acesso aos créditos. "Também foi importante a disposição dos agentes financeiros em discutir e aprimorar com o setor florestal uma plataforma de acesso que leve em conta as particularidades dos plantios florestais", completou.
Nos programas de desenvolvimento sustentável direcionados à Agricultura Familiar financiados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), os juros estão mais baixos ainda, entre 1% e 2%, ao ano conforme a renda do agricultor.
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